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CPSIC/CMRV024 - ESTÁGIO PROFISSIONAL EM PSICOLOGIA II/SAÚDE COLETIVA - Turma: 01 (2019.1)

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  • Recomendações para construção de caso + disparador para diários
  • 28/04/2019 11:28
  • Texto:

    Como Construir Caso Clínico em saúde mental

     

    Da História Natural da Doença à História vivência (estar presente quando se passa algo) Singular do doente è tomar as rédeas, tornar uma experiência, sair transformado.

    Restituir o sujeito ao processo de subjetivação.

    Esquema preliminar da apresentação do caso:

    O que deve ser relatado a partir do mapa do caso: (utilizar Genograma e ecomapa para auxiliar)

    a)      Nome, local de moradia, configuração familiar (objeto da At. Básica, ESF) e alocação social (trabalho)

    b)      Por que está ali? Qual a queixa?

    c)      O que foi percebido no encontro e além dele?

    - Quem é o profissional de referência? Acesso ao prontuário?

    - Marcadores a serem considerados: gênero, raça, classe, educação formal;

    d)      Quais foram as medidas tomadas?

    - Como a RAPS e as redes intersetoriais e informais estão sendo acionadas?

    e)      Quais as dúvidas?

    O que fazer? Como proceder?

    f)       Possibilidades de transformação?

    - Quais são os recursos?

    Pontos para reflexão:

     

    A construção do caso valoriza o “Saber que o próprio paciente traz acerca de si mesmo, revelando, dessa forma, a maneira como se relaciona com o Outro [instância de simbolização e trocas] e como se dá a organização de suas formas de gozo”.

    Isto é: quais são os ganhos psíquicos de tal arranjo sintomático? Da forma-sujeito assumida e reiterada? Sofremos de eu, padecemos desta instância importantíssima de mediação e trocas, mas que se cristaliza e gera defasagens entre o que nos atravessa e as formas assumidas como “tem-que ser assim”, naturalizadas. Estranhar a poeira decantada no chão dos processos de subjetivação.

    A partir daí, como se relaciona consigo? Com as coisas o atravessam, as decepções e alegrias, o luto e a criatividade?

     

     

    Transtornos mentais são “(...) síndromes ou padrões comportamentais ou psicológicos clinicamente importantes, que ocorrem no indivíduo e estão associados a sofrimento (p.ex.,sintoma doloroso) ou a incapacitação (p.ex. prejuízo em uma ou mais áreas importantes do funcionamento) ou a um risco significativamente aumentado de sofrimento, morte, dor, deficiência ou perda importante da liberdade. Além disso, essa síndrome ou padrão não deve constituir meramente uma resposta previsível e culturalmente aceita diante de determinado evento, por exemplo a morte de um ente querido. Qualquer que seja a causa original, a síndrome deve ser considerada no momento como manifestação de uma disfunção comportamental, psicológica ou biológica....” (KAPLAN & SADOCK, 2007, p. 325)

     

    “Claro que há sintomas típicos, porém mesmo que tenham a mesma forma, cada um deles é peculiar e particular porque, como assinala Lacan, o sentido do mesmo sintoma em diversos sujeitos é diferente.” (MILLER, J.A, 2006, p.30).

     

    “A tarefa do psicanalista aí consiste (...) em oferecer ao sujeito uma possibilidade de tematizar, de ressignificar e elaborar sua ‘miséria’, até onde for possível, para tomar uma outra posição frente a toda essa desgraça cotidiana{...}.” (FIGUEIREDO apud ABREU, 2001,p.111).

     

     

     

     

    Resultado de imagem para ecomapa saúde mental

     

    Disparador para a confecção do diário de notas intensivas (plano do cuidado e acessoriamente plano do trabalho):

    Prof. Dr. Guilherme A. Souza Prado

    Realizar um diário de notas intensivas não é falar de... mas falar com...

    Nas notas intensivas, o relato não tem mais a ver com saber sobre, pois se trata de saber com. Se colocar ao lado da experiência, talvez alguma coisa que não seja bem o que se esperava surgir ali. Faltam gaze, luvas e foco? Mas e aquele atendimento preventivo feito com a luz do celular em uma usuária que não poderia voltar em outro momento? Como é acompanhar a profissional ao fazer o curativo na criança que parece mais tranquila que a mãe? Como é ver aquela idosa que cuida de outro idoso cadeirante e de um neste em situação de sofrimento psíquico? Aquilo que talvez seus colegas e/ou os profissionais não tenham se atinado, não tenham percebido no calor e na correria do cotidiano.

    O que experimentar com aqueles cheiros, encontros, sensações, o que te eles te convidam a pensar? Entender que os encontros são um convite, saímos transformados de cada encontro, mesmo que nada se passe de visível, saímos transformados no tempo, ganhamos tempo nos encontros, ganhamos um pouco mais de tempo em cada encontro.

    Tudo o que não invento é falso (Manoel Barros): O que é inventado em cada ida ao campo e nos encontros que se dão nestas visitas?

    Quem está ao redor quer dizer por. Quer dizer “por quês”. Quer dizer de. Quer saber o quê.

    Quais são as palavras que vestem um encontro, uma situação vivenciada no campo? Aquilo que talvez seja difícil de colocar em palavras, mas que – convidamos a vocês – vale o esforço. Aquilo que agita e perturba um certo estado de coisas, que inventa um problema.

    “A ativação de uma atenção à espreita – flutuante, concentrada e aberta (...) entendida como um músculo que se exercita e sua abertura precisa sempre ser reativada, sem jamais estar garantida. (...) é a busca reiterada de um tônus atencional, que evita dois extremos: o relaxamento passivo e a rigidez controlada” (Passos, Kastrup e Escóssia, 2009, p. 48).

     

    Usar sua presença e sua atenção para estranhar o que talvez apareça e pareça aos demais como natural.

    Onde você se pergunta “por quê?” – por que isto é assim ou assado – substitua pela pergunta “Como?”. Como funciona? Como é que lhe parece?

    Referências

    KASTRUP, V. O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. (org.) Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

    POZZANA, L. & KASTRUP, V. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. (org.) Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.

     



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