| Metodologia: |
A presente proposta de Estágio Profissional I em Saúde Mental contempla dois campos de estágio: o CTA (Centro de Testes e Amostragem) e o CAPS-II (Centro de Atenção Psicossocial), ambos sediados na cidade de Parnaíba-PI.<br /><br />Guardadas as diferenças de plano e processo de trabalho específicas de cada campo, a serem debatidas e construídas em conjunto e progressivamente com a equipe dos dispositivos de acordo com as possibilidades e demandas de cada um deles, em ambos se propõe uma atuação transversal do estagiário. Isto significa que o estagiário vai trabalhar com ações informativas, grupos de apoio, de orientação e informação, atuação individuais e em grupos de contenção e contorno terapêutico voltados para aumentar a aderência, a resolubilidade e a longitudinalidade do tratamento. <br />A participação extensiva e intensiva do estagiário abarca atuação em oficinas e grupos terapêuticos, além das diversas modalidades de escuta e referenciação na rede de Saúde.<br />Como estratégia inicial de inserção, propomos a prática da ambiência em cada serviço. A ambiência, de acordo com a Política Nacional de Humanização do SUS (BRASIL, 2004), atua de maneira privilegiada sob três eixos: <br />1) como espaço propício à reflexão em torno da produção de subjetividade articulando-a ao processo de trabalho em saúde. <br />2) como modo de cuidado voltado para confortabilidade dos envolvidos, capaz de abarcar e promover, quando eventualmente necessário, um trato na privacidade e na individualidade, exaltando elementos do ambiente que interagem com cada pessoa cor, cheiro, som, iluminação, morfologia... , e garantindo certo conforto que, embora difícil, seja necessário a trabalhadores, paciente e sua rede social no processo de cuidado. <br />3) como ferramenta facilitadora do processo de trabalho funcional favorecendo a otimização de recursos e o atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo.<br />A finalidade da ação/atividade de ambiência não é outra que a de constituir vínculo entre usuário e estagiário, refletir sobre a finalidade do tratamento, produção de sujeito nas oficinas terapêuticas e, principalmente, potencializar a construção e execução do Plano Terapêutico Singular, baseado nas escolhas e demandas dos usuários.<br />A metodologia utilizada para a atuação do estagiário em Saúde Mental vem em consonância com as práticas promulgadas pelo Ministério da Saúde (2003, 2004a, 2004b) e com autores referendados na área (BARROS, R. B. & PASSOS, 2000, 2005a, 2005b; COSTA-ROSA, 2000; LANCETTI, 2002, 2005; MENDES, 2007; MERHY, 2013; ONOCKO CAMPOS, 2008; PASSOS, 2013; RAUTER, 2012, 2015) e faz uso privilegiado do estudo de caso para as supervisões técnicas clínico-teóricas. <br />De acordo com o Ministério da Saúde (2003), que atenta ao desafio das práticas de saúde em construir metodologias que aliem o âmbito clínico de intervenção com o da saúde coletiva (p. 9), o método de estudos de caso é uma boa indicação para as práticas clínicas em Saúde, especialmente potente no tocante ao campo da Saúde Mental. <br />A metodologia dos estudos de caso visa legitimar as idiossincrasias, as peculiaridades, precariedades e potencialidades de cada caso e trazê-los para a composição da a rede de cuidado. Traçando cartografias de cada caso, ele passa a ser entendido como é um sistema delimitado, algo como uma instituição, um currículo, um grupo, uma pessoa, cada qual tratado como uma entidade única, singular (ANDRÉ, 1984, p. 52).<br /><br />Com isto, propomos uma atuação deslocada da perspectiva hegemonicamente identificada com os cursos de psicologia, cientificista e interpretativa, que se pretende neutra e asséptica em relação a tudo aquilo que não cabe no âmbito estrito dos objetos bem delimitados das teorias e sistemas psicológicos. <br />Ao invés de atuar sobre os objetos, propomos a invenção cotidiana de práticas que operem contiguamente às questões e problemas colocados em nossa realidade. Uma atuação a partir de, um agir diante de, levando em conta o contexto sócio-político atentando aos pontos de singularidade visando acolher as demandas, sem julgamento prévio, para se traçar em conjunto com a equipe as estratégias de cuidado com cada usuário e sua rede ecosófica afetiva, social e pessoal, tendo como base a fundamentação dos Projetos Terapêuticos Singulares trabalhando a partir daquilo que é possível e necessário de ser executado para o usuário dos serviços com a participação direta dele (Ministério da Saúde, 2003).<br />Por fim, nossa aposta técnico-teórica almeja fortalecer os elos entre os campos de estágios e a instituição; primando pela formação cultural e profissional do educando, conhecer os diversos locais de assistência, os planos terapêuticos adotados, o perfil dos pacientes e os diferentes modos de cuidar.<br /> |
| Bibliografia:
| ANDRÉ, M. E. D. A. (1984). Estudo de Caso: seu potencial na educação. Caderno de Pesquisa, 49, 51-54. Disponível em http://educa.fcc.org.br/pdf/cp/n49/ n49a06.pdf<br />BARROS, R. B. & PASSOS, E. A construção do plano da clínica e o conceito de transdisciplinaridade. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 16, n. 1, p. 71-79, 2000. <br />____________________________ Humanização na saúde: um novo modismo? Interface Comunic. Saúde Educ. mar-ago;9(17):389-94 de 2005a.<br />____________________________ A humanização como dimensão pública das políticas de saúde. Ciencia Saude Coletiva. mar-ago;10(3):561-71 de 2005b.<br />COSTA-ROSA, A. O modo psicossocial: um paradigma das práticas substitutivas ao modo asilar. In: AMARANTE, P., (org.) Ensaios: subjetividade, saúde mental, sociedade. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2000.<br />LANCETTI, A. Síntese metodológica. In: LANCETTI, A. (Org) SaúdeLoucura 7: Saúde Mental e Saúde da Família. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 2002. <br />LANCETTI, A. Clínica Peripatética. São Paulo: Hucitec, 2005.<br />MENDES, V. L. F. Uma clínica no Coletivo - Experimentações no Programa de Saúde da Família. São Paulo: Hucitec, 2007. <br />MERHY, E. E. Vivenciar um campo de formação de profissionais de saúde: dobrando em mim o fazer da Unifesp Baixada Santista. In: CAPOZZOLO A. A., CASETTO, S. J., HENZ, A.O. (org.). Clínica comum: itinerários de uma formação em saúde. São Paulo: Hucitec; 2013.<br />MINISTÉRIO DA SAÚDE. (2003). A política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e Outras Drogas. Brasília: Autor. <br />MINISTÉRIO DA SAÚDE. (2004a). Saúde Mental no SUS: os centros de atenção psicossocial. Brasília: Autor.<br />MINISTÉRIO DA SAÚDE (2004b). Política Nacional de Humanização: Documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Brasília.<br />ONOCKO CAMPOS, R. (Et. Al.). Avaliação em saúde mental: participação, intervenção e produção de narratividade. São Paulo: Hucitec, 2008.<br />PASSOS, E. A construção da clínica comum e as áreas profissionais. In: CAPOZZOLO A. A., CASETTO, S. J., HENZ, A.O. (org.). Clínica comum: itinerários de uma formação em saúde. São Paulo: Hucitec; 2013.<br />RAUTER, C. A clínica do esquecimento. Niterói: Editora da UFF: 2012. <br />___________ Clínica Transdisciplinar: Afirmação da multiplicidade em Deleuze/ Spinoza. In: Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência Vol. 8, nº 1, p. 45-56, 1º quadrimestre de 2015. <br />SARACENO, B. (1999) Libertando identidades da reabilitação psicossocial a cidadania possível. 6.ed. Rio de Janeiro: Tecorar. <br />SAWAIA, B. (org). (1999) As Artimanhas da Exclusão. Uma análise psicossocial e ética da desigualdade social. Rio de janeiro: Vozes.<br />VENTURA, M. M. (2007). O estudo de caso como metodologia de pesquisa. Revista SOCERJ, 20(5), 383-386.<br />ZIMERMAN, D. & cols. (1997) Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas.<br /> |