Esta pesquisa apresenta a construção de um banco de dados sobre contextos funerários do estado do Piauí, concebido como uma ferramenta para propor formas de musealização da morte que não envolvam a exposição direta de indivíduos humanos. Para tanto, apresenta-se inicialmente um breve histórico da musealização da arqueologia, especialmente no que se refere aos contextos relacionados à morte. Em seguida, são discutidas práticas que permeiam os campos da Museologia e da Arqueologia, bem como legislações vigentes em outros países relacionadas ao tratamento e à exposição de remanescentes humanos. Também são apresentados exemplos da adoção dessas práticas no Brasil e em outros contextos internacionais, com o objetivo de refletir sobre a construção de uma arqueologia orientada por perspectivas decoloniais e pela participação de povos indígenas. No desenvolvimento do trabalho, são discutidos conceitos relacionados à organização e à utilização de bancos de dados, abordando a mudança paradigmática na estrutura do banco que vem sendo desenvolvido desde 2019 no âmbito desta pesquisa. No que se refere à metodologia, a primeira etapa descreve o processo de aquisição das informações. No contexto acadêmico, os dados foram obtidos por meio de revistas científicas e repositórios universitários, enquanto, no âmbito do licenciamento ambiental, a coleta ocorreu a partir do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Na segunda etapa metodológica, discute-se o processo de transformação conceitual e de design do banco de dados, destacando sua relevância para a modelagem da estrutura proposta. Quanto aos resultados, foram identificados 161 indivíduos provenientes de 36 sítios arqueológicos com contextos funerários, os quais foram organizados em seis grupos regionais: Serra da Capivara, Afloramentos Calcários, Corredor Ecológico, Serra das Confusões, São Miguel do Tapuio e Entorno, e Sítios Isolados. Também foram identificadas as Instituições de Guarda reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no estado do Piauí, o que possibilitou estabelecer um panorama da situação atual desses indivíduos. Por fim, nas discussões são levantadas questões relacionadas ao desenvolvimento da pesquisa, buscando avaliar a viabilidade do banco de dados como instrumento para uma proposta alternativa de musealização da morte. Tal reflexão considera, sobretudo, as dificuldades de acesso à informação identificadas ao longo de todo o processo investigativo.